Fé em Portugal: qual a importância da religião no país?

Conheça mais sobre a questão da fé em Portugal. O que um brasileiro precisa saber sobre a religião em Portugal, os principais monumentos religiosos do país, sua história e importância para os portugueses.

Portugal é um país maioritariamente católico e podemos constatar isso pela imensa quantidade de monumentos religiosos que há no país. Diversas igrejas, mosteiros e santuários compõe o cenário que o visitante irá encontrar quando chegar, mas além de meramente turísticos, guardam fragmentos da história da fé em Portugal e sua relação com a religião, especialmente a católica.

Santuário de Nossa Senhora de Fátima. (Foto: Divulgação).

Santuário de Nossa Senhora de Fátima: Um monumento da fé católica em Portugal

O mais famoso monumento religioso em Portugal, que atrai cerca de seis milhões de turistas por ano é o Santuário de Fátima. Já recebeu a visita dos papas Papas Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI (2010) e Francisco (2017). Foi edificado em 1919 alguns anos após um importante episódio da fé católica, que são as aparições do Anjo da Luz (ou Anjo de Portugal), para Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto, conhecidos como “Os três pastorinhos”.

O santuário leva este nome, pois em 1917, os pastorinhos presenciaram, também, seis aparições de Nossa Senhora do Rosário e, por terem sido em Fátima, o monumento acabou por ficar conhecido como Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

Conta-se que a mensagem da Santa era de que se rezassem o terço todos os dias e que fosse construído uma capela em sua honra. As aparições de Fátima desencadearam uma grande repercussão na época e, antes mesmo de ocorrer a última aparição, o local já havia se tornado num centro de peregrinações.

Os portugueses católicos costumam fazer promessas a Nossa Senhora e, quando estas são realizadas, vão a pé até o santuário, ou ainda, sobem as escadarias de joelhos para agradecerem as graças alcançadas no chamado percurso penitencial.

Mosteiros de Portugal e sua relação com a história

Fé em portugal é baseado no catolicismo

Mosteiro dos Jerónimos. (Foto: Divulgação).

Em Portugal, em geral, os mosteiros, além de sua ligação religiosa com a fé cristã, têm também uma ligação histórica, por isso são constantemente visitados por gente que não é, necessariamente, católico ou cristão.

O Mosteiro de Batalha, por exemplo, foi construído pelo rei D.João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória contra os castelhanos na batalha de Aljubarrota, realizada em 1385 e levou dois séculos para terminar de ser construído. Trata-se de um exemplo do estilo gótico tardio estilo manuelino, considerado uma das sete maravilhas de Portugal, e patrimônio  pela UNESCO.

Outro monumento religioso é o Mosteiro dos Jerónimos, também considerado patrimônio mundial pela UNESCO e uma das setes maravilhas de Portugal. Fica localizado em Lisboa e é um dos maiores pontos turísticos do país, estando localizado próximo a Torre de Belém na praia do Rastelo.

A região teve importante destaque nas viagens ultramarinas e os navegadores portugueses, como Vasco da Gama (que viajou para as Índias) e Pedro Álvares Cabral (que viajou para o Brasil), ficavam instalados na Ermida de Santa Maria de Belém construída pelo Infante D. Henrique em 1460.

Posteriormente, o rei D. Manuel I, que queria construir em Lisboa uma capital para o império português – que havia colonizado diversas regiões do mundo -, transformou a Ermida no Mosteiro dos Jerónimos, iniciada a construção no século XVI e, até hoje, considerado um dos grandes símbolos da nação portuguesa, ligados à época dos descobrimentos.

No Mosteiro dos Jerónimos estão enterrados grandes personalidades da história e da literatura de Portugal, além do rei D.Manuel, estão o navegador português Vasco da Gama; os poetas Camões – que escreveu os Lusíadas –  e Fernando Pessoa – que escreveu Mensagem – e o escritor Alexandre Herculano – que escreveu Eurico o Presbítero e, como historiador, História de Portugal.

Personalidades históricas e religiosas de Portugal que um brasileiro precisa conhecer

Mosteiro de Alcobaça. (Foto: Divulgação).

Rei Pedro I de Portugal e D. Inês de Castro

Ainda na linha de importantes mosteiros, o Mosteiro de Alcobaça é um um local de grande visitação. Nele estão guardados os restos mortais de duas grandes personalidades históricas de Portugal, o Rei Pedro I de Portugal e D.Inês de Castro – não confunda com o D.Pedro I do Brasil, esse é outra figura.

Conta a história que D.Inês, que havia se casado ilegalmente com Pedro, foi assassinada, em Coimbra, pelo pai deste, que era o rei na altura. Quando tornou-se rei, diz a lenda, que Pedro mandou desenterrar D.Inês e coroou-a rainha depois de morta, colocando o corpo decrépito da amada ao lado do seu, no trono, e obrigando a toda a corte que beijasse sua mão defunta. Por isso, este rei foi conhecido como Pedro Cruel (ou Pedro o Justo, dependendo da perspectiva).

Sendo assim, o Mosteiro de Alcobaça, situado em Alcobaça, guarda os restos mortais dos dois amantes, sendo que seus sarcófagos foram colocados um de frente para o outro, para que no dia do Juízo Final, dizem, ao ressuscitarem, possam se olhar nos olhos novamente.

Na cidade de Coimbra, há muitos rastros dessa história de amor, como, por exemplo, a Fonte dos Amores, onde os dois amantes se encontravam; a Quinta das Lágrimas, que em Os  Lusíadas – poema épico escrito por Camões, como já dito aqui, que narra a história de Pedro e Inês –  abriga a nascente do rio Mondego, principal rio que divide a cidade, nascido das lágrimas das Ninfas que choraram a morte de D.Inês, e o Mosteiro de Santa Clara, local onde conta-se que ela foi assassinada.

Rainha Santa Isabel

Além disso, no Mosteiro de Santa Clara, está enterrado o corpo da Rainha Santa Isabel, outra importante figura histórica para se ter conhecimento.

Isabel de Aragão foi considerada Santa ainda em vida por ter milagres associados a ela. Casada com o rei D.Dinis, rei-poeta, era uma mulher muito culta, amante das artes e muito piedosa, sempre ajudando os pobres.  A ela está associado o milagre das rosas, que, para não ser descoberta pelo rei que ia ofertar pão aos pobres, transformou os pães em rosas.

Dizem que o corpo de Isabel está completamente intacto dentro do túmulo, mesmo após tanto séculos e tendo morrido tocada pela peste, sendo esta uma das razões para sua canonização. Na cidade de Coimbra, em que a rainha é a padroeira, em ocasiões especiais, os fiéis podem ver a mão intacta da rainha em um cortejo na rua.

Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua

Outra figuras históricas com uma ligação religiosa é Santo Antônio, considerado o santo casamenteiro a quem se comemora o dia em 13 de Junho – após o dia dos namorados no Brasil.

Fernando, possivelmente de sobrenome Bulhões, nasceu em Lisboa e vinha de uma família de grandes posses, tendo sido muito bem educado e tornando-se um homem muito culto. A certa altura de sua vida, antes de ir para a Itália onde se tornaria Santo Antônio de Pádua, mudou-se para Coimbra onde viveu no Mosteiro de Santa Clara ( o da morte de D.Inês e que abriga o corpo da Rainha Santa Isabel).

Foi em Coimbra que Santo Antônio conheceu a ordem franciscana, inclusive conhecendo o próprio São Francisco de Assis, e, posteriormente, se convertendo em franciscano, quando adotou o nome de Antônio). Há na cidade de Coimbra uma igreja, desta mesma ordem, dedicada ao santo, que chama-se Santo António dos Olivais e está situada na freguesia mais populosa de Portugal, os Olivais.

Festa de São João no Porto, um evento que reúne pessoas de todo o mundo

Os eventos religiosos também tem grande participação na sociedade portuguesa, um dos mais famosos é a festa de São João. O evento reúne milhares de pessoas na noite entre os dias 23 e 24 de Junho, na cidade do Porto e celebra o nascimento de São João Batista, mas antes era uma festa pagã, em comemoração ao solstício de verão e por sua semelhança com o Entrudo foi rapidamente filiada à tradição cristã.

Na festa são utilizados os alhos-porós para bater nas cabeças das pessoas que passam e ramos de cidreira (e de limonete), usados principalmente pelas mulheres para pôr na cara dos homens que passam, e claro, o tradicional o lançamento de balões de ar quente.

Diz-se que o alho-poró era um símbolo fálico da fertilidade masculina e a erva cidreira remeteria os pelos púbicos femininos, mas hoje em dia é mais comum serem usados os martelinhos de plástico. Conta-se que nos anos 70, nas Fontaínhas, era vendido, na noite de S. João, pão com a forma de um falo (órgão reprodutor masculino), o que remetia a tradição pagã da festa.

Na festa há, também, o tradicional salto sobre as fogueiras espalhadas pela cidade, normalmente nos bairros mais tradicionais; os vasos de manjericão com versos populares são uma presença constante, bem como o tradicional fogo de artifício à meia-noite, junto ao Rio Douro e à ponte D. Luís I.

Galo de Barcelos história de devoção religiosa

Galo de Barcelos. (Foto: Divulgação).

Neste artigo, portanto, procurou-se expor alguns dos pontos sobre a Fé em Portugal, sendo possível perceber, pelos exemplos mencionados, que além de importância religiosa, a fé cristã impulsionou as colonizações de outros domínios para o império português.

Em seus Sermões o religioso Padre António Vieira, que era português, mas viveu a maior parte no Brasil, diz sobre a necessidade de conquistar outras almas para a fé católica, para expandir os domínios de Deus. Por isso os religiosos portugueses realizavam missões de catequização de índios por todas as colônias portuguesas, sendo os mais conhecidos os padres jesuítas.

Portanto, as tradições católicas são enraizadas na cultura portuguesa, de modo que 90% de sua população identifica-se com esta religião, embora cerca de 10% que efetivamente praticam e, sendo cada vez menos comum entre os jovens.

Para finalizar, conto-lhes a história do Galo de Barcelos, um dos símbolos de Portugal e que tem uma ligação com a prática religiosa ao narrar a intervenção milagrosa de um galo morto na absolvição de um homem que estava sendo acusado por engano.

Conta-se que um galego, que estava a passar pela cidade de Barcelos em peregrinação a Santiago de Compostela, foi confundido com um criminoso e condenado a forca. Entretanto, no dia se cumprir a sentença solicitou falar com o juiz, que se banqueteava com alguns amigos.

O galego inocente profetizou, então, que o galo morto que o juiz devorava com os amigos, cantaria caso ele estivesse sendo enforcado por engano. Então, quando estava sendo enforcado, o galo morto cantou e o homem, que não havia morrido porque um laço mal feito, foi solto e construiu um Monumento do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a Santiago Maior, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.

Gostou de conhecer mais sobre a fé em Portugal? Então acompanhe nossa série sobre a cultura em Portugal, que abordam diferentes aspectos da vida em Portugal, desde as diferenças entre o português do Brasil e de Portugal, bem como as comidas típicas que você precisa conhecer.

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